A DOR DA ÁRVORE
¾ Mamãe, é
verdade que árvore chora?
¾ Acho que sim,
meu filho.
¾ Aquele líquido
que escorre dela quando ferida são as lágrimas?
¾ Não é bem assim
meu filho. O líquido é a seiva, mas as lágrimas devem escorrer junto com a
seiva.
Pedrinho
sentia-se triste pela dor da árvore.
¾ Mamãe, eu nunca
que vou ferir uma planta. Sabe que eu amo as plantas todas?
¾ E eu não sei! ¾
exclama a mãe trazendo o filho de encontro ao peito.
Ela
cresceu em meio ao verde, à terra. Aprendeu desde cedo a amar a natureza e de
alguma forma conseguiu passar esse amor para o filho.
Começou
a refletir no quanto a natureza conseguia ser superior às misérias humanas.
Sempre pronta a reflorescer, sempre pronta a reviver.
Até
quando essa misericórdia para com os homens?
Os
homens sempre pensando em si mesmos, sempre procurando progredir cada vez mais,
passando por cima dos valores reais. O homem sempre pronto a destruir,
desmatar, queimar. O homem construindo casas em cima de casas. O homem, único
ser destrutivo do planeta.
Começou
a refletir no descuido do homem em deixar aos poucos morrer o planeta.
Por
que o homem não conseguia enxergar o mal que causava ao planeta? Por que para
progredir, o homem precisava destruir a natureza?
A
natureza tão bela e formosa, trazendo flores e frutos. Um sol a cada amanhecer
surgindo no horizonte. Sempre e sempre uma esperança de vida, uma promessa de
eternidade.
Pedrinho
tinha razão, a árvore devia chorar. Chorar pela dor de tanta mata derrubada,
tanta destruição, poluição.
Os
rios a correr oleosos feito artérias doentes entre margens desnudadas.
O
menino tinha toda razão. A dor da natureza não sensibiliza os homens de
"boa-vontade". Boa-vontade, até parece piada!
sonia delsin

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