segunda-feira, 19 de maio de 2014



A DOR DA ÁRVORE


¾ Mamãe, é verdade que árvore chora?
¾ Acho que sim, meu filho.
¾ Aquele líquido que escorre dela quando ferida são as lágrimas?
¾ Não é bem assim meu filho. O líquido é a seiva, mas as lágrimas devem escorrer junto com a seiva.
Pedrinho sentia-se triste pela dor da árvore.
¾ Mamãe, eu nunca que vou ferir uma planta. Sabe que eu amo as plantas todas?
¾ E eu não sei! ¾ exclama a mãe trazendo o filho de encontro ao peito.
Ela cresceu em meio ao verde, à terra. Aprendeu desde cedo a amar a natureza e de alguma forma conseguiu passar esse amor para o filho.
Começou a refletir no quanto a natureza conseguia ser superior às misérias humanas. Sempre pronta a reflorescer, sempre pronta a reviver.
Até quando essa misericórdia para com os homens?
Os homens sempre pensando em si mesmos, sempre procurando progredir cada vez mais, passando por cima dos valores reais. O homem sempre pronto a destruir, desmatar, queimar. O homem construindo casas em cima de casas. O homem, único ser destrutivo do planeta.
Começou a refletir no descuido do homem em deixar aos poucos morrer o planeta.
Por que o homem não conseguia enxergar o mal que causava ao planeta? Por que para progredir, o homem precisava destruir a natureza?
A natureza tão bela e formosa, trazendo flores e frutos. Um sol a cada amanhecer surgindo no horizonte. Sempre e sempre uma esperança de vida, uma promessa de eternidade.
Pedrinho tinha razão, a árvore devia chorar. Chorar pela dor de tanta mata derrubada, tanta destruição, poluição.
Os rios a correr oleosos feito artérias doentes entre margens desnudadas.
O menino tinha toda razão. A dor da natureza não sensibiliza os homens de "boa-vontade". Boa-vontade, até parece piada!


 sonia delsin

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