segunda-feira, 19 de maio de 2014



AS ARTES DOS OUTROS


Ele se divertia com as artes dos outros. Deus, como os olhos dele brilhavam quando via alguém aprontar alguma!
Desde bebê ele já gostava de ver coisas erradas. E como ria!
Não aprontava das suas, mas como gostava de ver alguém aprontando!
Cresceu assim.
Raramente precisei ralhar com ele por ter feito alguma coisa errada, mas também quando o fazia era mesmo para arrasar.
Como aquela vez que colocou o som da TV no último volume no dia em que uma pessoa que nos visitava conversava muito alto.
Ou quando deu uma espadada no bumbum de um velho chato que sempre nos visitava em horas inconvenientes e não se tocava que sua visita era indesejável em nossa casa.

sonia delsin

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