UMA
CRÔNICA MUITO ENGRAÇADA
Eu queria fazer aqui uma coisa diferente
das que habitualmente faço. Queria escrever algo extremamente engraçado.
Além de rir das coisas que se escrevem
por aí, queria rir de algo que brotasse do meu íntimo.
O que posso escrever de engraçado me
pergunto. O quê?
Não rio simplesmente. A piada tem que
ser muito boa ou o tombo.
É bom ver alguém tombar feito jaca
madura. E por falar em jaca a última que comi fez-me mal.
Não gosto de falar que algo faz mal.
Acredito que só nós mesmos é que podemos nos fazer mal. Mas aquela!
Estava verde a jaca. Verde e grudenta.
Não sei ainda por que eu a comi e depois quando vi já era tarde demais.
Comecei a me sentir mal e manifestou-se
em meu corpo todos os sintomas de alergia. Não quero crer em alergia, mas as
marcas vermelhas estavam todas na minha pele e a sensação ruim de não estar
bem. Mas passou.
Como as coisas boas passam por nós e
quantas vezes nem nos damos conta; mas as ruins também passam. É um consolo
este.
Houve uma vez um tombo muito engraçado.
Meu marido riu de me ver pendurando num cipó e balançando. Ele achou que eu
iria cair, mas não; quem caiu foi ele. E que tombo!
Na hora eu ri muito, demais. Mas depois
refletimos o quanto o tombo fora perigoso. Mas não houve nada e aquele tombo
acabou sendo uma lição para ele.
Eu dizia para que ele nunca me
subestimasse. Eu cresci entre cabras e muito verde. Não fui uma menina da
cidade e as meninas que crescem no campo são muito mais destemidas que as outras.
Subir em árvores e adentrar-me pela mata
sempre foi uma diversão.
A crônica acabou não ficando nada
engraçada e pelo contrário acabou sendo só a lembrança de tempos atrás.
sonia delsin

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