MELÕEZINHOS
SELVAGENS
Quando
se é criança tudo pode ser, tudo é, tudo será.
A
menina que eu fui ainda mora em mim. Eu não a sufoquei com a dureza da vida.
Muitas vezes me desesperei e custei a encontrar a menina em mim, mas buscando
com mais cuidado a achei sim. Lá no fundo, ajudando-me a transpor barreiras,
curando feridas e iluminando com fachos de luz meu caminho.
Deus!
A menina em mim é doce, é plena de amor e bondade!
É
um anjo e os anjos não são bem quistos no mundo dos humanos. Por isso sufoco o
anjo e deixo aflorar a mulher que sabe ser dura muitas vezes.
Mas
lá no mais íntimo adoro caminhar descalça na areia, adoro o vento leve nos meus
cabelos, adoro tomar sorvete, adoro dançar e adoro sonhar.
Ainda
lembro-me dos melõezinhos selvagens que se dependuravam nas cercas da minha
infância.
Faz
tanto tempo, não consigo nem mesmo recordar-me do sabor mas na minha fantasia
daquele tempo aquela "frutinha" esquisita era alguma coisa muito
especial.
Acho
que naquele tempo mesmo eu já sabia que aquilo não era melão, mas era tão bom
pensar que era!
sonia delsin

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