domingo, 18 de maio de 2014



CADEIRA DE  RODAS

O passado já não é um fantasma para mim. Eu já superei tudo isso.
Está tudo tão longínquo, tão morto.
Penso que morri e renasci.
Eu era uma menina ainda e de repente não podia mais andar.
O que sofri só quem sofreu como eu pode avaliar.
Eu queria vida, eu queria sol, eu queria correr.
Eu queria colher flores.
Eu queria dançar, pular, rodopiar...
... eu queria conhecer o amor.
E a minha vida se resumia numa triste cadeira de rodas.
Eu me revoltava.
Os dias eram intermináveis.
As horas monótonas e extremamente vazias.
Meu presente era um tormento.
Lembrar o passado me angustiava.
O futuro me assombrava.
As luzes se apagaram para mim.
As esperanças morreram.
As dores eram terríveis.
Transformavam-me num farrapo humano.
Quis morrer mil vezes.
Foram anos de sofrimento.
Mas as esperanças voltaram.
E as luzes brilharam para mim.
Voltei a andar, a viver...

São Paulo, 10 de maio de 1976

sonia delsin

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