CADEIRA
DE RODAS
O passado já não
é um fantasma para mim. Eu já superei tudo isso.
Está tudo tão
longínquo, tão morto.
Penso que morri
e renasci.
Eu era uma
menina ainda e de repente não podia mais andar.
O que sofri só
quem sofreu como eu pode avaliar.
Eu queria vida,
eu queria sol, eu queria correr.
Eu queria colher
flores.
Eu queria
dançar, pular, rodopiar...
... eu queria
conhecer o amor.
E a minha vida
se resumia numa triste cadeira de rodas.
Eu me revoltava.
Os dias eram
intermináveis.
As horas
monótonas e extremamente vazias.
Meu presente era
um tormento.
Lembrar o
passado me angustiava.
O futuro me
assombrava.
As luzes se
apagaram para mim.
As esperanças
morreram.
As dores eram
terríveis.
Transformavam-me
num farrapo humano.
Quis morrer mil
vezes.
Foram anos de
sofrimento.
Mas as
esperanças voltaram.
E as luzes
brilharam para mim.
Voltei a andar,
a viver...
São Paulo, 10 de
maio de 1976
sonia delsin

Nenhum comentário:
Postar um comentário