PARTI...
Eu
passei horas debruçada na janela.
A
olhar sabe o quê?
Nada.
À
minha frente a cidade com seus encantos.
Cidade
que me cativa.
Mas
eu a ignorei naquela tarde.
Estava
fazendo uma viagem interior e meus olhos estavam presos a nada.
Meus
pensamentos estavam longe no tempo.
Estavam
num tempo que eu voava.
Sim,
eu voava.
Ao
teu encontro eu ia como se borboleta fora.
Como
se fora um alegre colibri.
Eu
pensava.
Que
vontade deste tempo aqui.
Mas
nem sequer me movimentava.
Pra
que me mexer?
Pra
que perder a magia da hora?
Naquela
hora eu lembrava e de novo voava.
Com
meu ser que encontra esta facilidade sempre.
Voar...
Ir
te encontrar, te beijar.
O
gosto do teu beijo nunca de mim vai se apagar.
Mesmo
que nunca mais nos vejamos.
Como
esquecer como nos amamos?
Era
tudo isso que eu pensava debruçada na janela.
A
tarde ia e eu nem via que anoitecia.
De
repente me deu uma agonia.
Uma
vontade de voar sobre o vale que enegrecia.
Uma
vontade de alcançar as luzes da avenida que mais aparecia.
Era
ali que nos encontrávamos as tardinhas.
Na
hora que o sol morria...
Quanta
fantasia!
Deixei
a janela.
Enxuguei
a lágrima e ergui a cabeça.
Estufei
o peito e falei pra mim.
Não
faça assim.
Reaja.
Reagir?
Eu
tinha mais era que partir.
E
o fiz...
Deixei
a cidade.
Deixei
pra traz tudo.
Só
ficou no peito a dor da saudade.
sonia delsin

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