SOLEDADE
Eu
a conheci nos anos setenta.
Era
uma pernambucana na cidade de São Paulo.
Uma
moça forte, determinada.
Viera
em busca de emprego, de instrução.
Moramos
na mesma pensão.
Quantas
ideias trocamos.
A
olhar a rua, os prédios, os transeuntes na janela nós duas tantas vezes
ficamos.
Soledade.
Hoje
bateu uma saudade da nortista que se maquiava todas as manhãs diante de um espelho
meio embaçado.
Eu
ficava admirando a paciência dela.
O
jeito.
Dos
trinta e tantos ela já tinha passado.
Nunca
tinha se casado.
Um
dia eu lhe falei.
Logo
vou me casar e depois que eu me casar você vai se casar também.
Ela
respondeu: nem tenho namorado.
Falei
que sentia que desta forma seria e ela sorriu.
E
foi isso mesmo que aconteceu.
Num
ano me casei.
E
no seguinte ela se casou.
Com
um tal de José por quem se apaixonou.
E
mais, ela teve o primeiro filho antes que eu.
Soube
que ela teve mais uma filha e depois nunca mais soube dela.
São
lembranças de alguém que passou na minha vida.
Apenas
e tão só algumas lembranças da
Soledade.
sonia delsin

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