domingo, 18 de maio de 2014



SOLEDADE

Eu a conheci nos anos setenta.
Era uma pernambucana na cidade de São Paulo.
Uma moça forte, determinada.
Viera em busca de emprego, de instrução.
Moramos na mesma pensão.
Quantas ideias trocamos.
A olhar a rua, os prédios, os transeuntes na janela nós duas tantas vezes ficamos.
Soledade.
Hoje bateu uma saudade da nortista que se maquiava todas as manhãs diante de um espelho meio embaçado.
Eu ficava admirando a paciência dela.
O jeito.
Dos trinta e tantos ela já tinha passado.
Nunca tinha se casado.
Um dia eu lhe falei.
Logo vou me casar e depois que eu me casar você vai se casar também.
Ela respondeu: nem tenho namorado.
Falei que sentia que desta forma seria e ela sorriu.
E foi isso mesmo que aconteceu.
Num ano me casei.
E no seguinte ela se casou.
Com um tal de José por quem se apaixonou.
E mais, ela teve o primeiro filho antes que eu.
Soube que ela teve mais uma filha e depois nunca mais soube dela.
São lembranças de alguém que passou na minha vida.
Apenas e tão só algumas lembranças da

Soledade.

sonia delsin

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